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COMÉRCIO IRREGULAR DE CAL HIDRATADA
A proliferação da produção e comercialização de cal hidratada irregular vem afetando um dos segmentos econômicos mais importantes do País: a construção civil. Motivado por uma solicitação do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) coletou para análise 25 marcas de cal hidratada, entre as mais vendidas no mercado. A primeira constatação foi de que 10 delas nem poderiam ser analisadas porque não se tratavam de cal hidratada, mas sim de outros produtos erroneamente vendidos como cal.

Das outras 15, os testes feitos em laboratório reprovaram seis e as nove restantes estavam dentro dos padrões das normas técnicas da ABNT. A maioria das marcas que demonstrou qualidade é integrante do Programa Setorial da Qualidade da Cal Hidratada para Construção Civil, uma iniciativa que é parte do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), do Ministério das Cidades (Secretaria da Habitação).

Para testar a qualidade da cal e preservar os direitos do consumidor, o Inmetro realizou uma série de ensaios químicos com o objetivo de verificar a pureza da cal hidratada, avaliando o processo de fabricação e a qualidade da matéria-prima. A partir destes testes, pode-se verificar a existência ou não de impurezas no produto final que o consumidor compra nas lojas de material de construção.

Também foi realizada uma bateria de ensaios físicos para testar a finura, plasticidade, retenção de água, incorporação de areia e estabilidade do produto. Estes testes verificam se a cal foi bem moída, se é econômica, se é boa para o pedreiro trabalhar com ela e se a argamassa desta cal retém ou perde água quando assentada na parede. A argamassa é uma mistura de cal hidratada, areia, cimento e água e é usada no revestimento das paredes, antes da pintura, para o acabamento.

Entre as 15 marcas levadas a laboratório para análise, foram reprovadas pelo Inmetro as seguintes: Biancal, Damasceno, Florical, Foncal, Icalbam e Puracal. O filito é apontado pelo Inmetro como o material mais comum adicionado à cal no processo de adulteração. Isto porque além da cal hidratada propriamente dita, o Inmetro encontrou no mercado outros dois tipos de produtos vendidos como cal hidratada, que considerou lesivos ao consumidor: cal virgem misturada a filito e produtos que se definem somente como filito. Sobre esses produtos o Inmetro observa que, apesar de em algumas embalagens o fabricante descrever que seu produto não é cal, o mesmo é vendido como cal ou substituto da cal no mercado, confusão que é corroborada pelo próprio nome fantasia do produto, que apresenta a palavra “cal” na sua marca.

As 10 marcas comercializadas como cal hidratada, mas que na verdade tratam-se de outros produtos, são: Belacal, Calbrás, Calcin, Calgeo, Filical Tropical, Impercal, Minarca, Sikal, Silical e Skal. O Inmetro comenta ainda que as marcas que se posicionaram alegando que seu produto é apenas um plastificante para argamassas deveriam apresentar informações claras de modo a não infringir os direitos básicos do consumidor, precisamente no artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor, que afirma que as “informações devem ser claras e adequadas sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço...”. Para o Inmetro, o consumidor está sujeito a comprar estes produtos de maneira errônea, devido à falta de clareza nas informações e devido ao próprio nome da marca, que possui, em todos os casos deste tipo, o fonema “cal”.

O Inmetro alerta os consumidores para que na hora da compra
da cal hidratada tomem os seguintes cuidados:

* Procurar na embalagem o nome “cal hidratada”, que deve estar bem visível na frente e no verso;

* Ficar atento para produtos que denominam na embalagem “cal hidratada com adição” ou “cal hidratada com leucofilito” ou “cal hidratada pozolânica”. Esses produtos não possuem norma técnica e buscam confundir o consumidor justamente pela forma como são comercializados;

* Verificar na embalagem se a cal é do tipo CH I, CH II ou CH III (os únicos tipos previstos na norma técnica da cal hidratada) informação que deve constar na frente e no verso;

* Constatar que na embalagem está o nome e a marca do fabricante de forma clara. O Inmetro alerta que é comum que produtos adulterados ou “de segunda” não se designem “cal hidratada”, mas utilizam a expressão cal em suas marcas fantasia, para confundir o consumidor.


Selo de Qualidade ABPC

A maior garantia que o consumidor tem na hora de comprar uma cal hidratada pura é procurar produtos que estejam qualificados no Programa Setorial da Qualidade da Cal Hidratada para Construção Civil, que integra o PBQP-H, Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, do Ministério das Cidades (Secretaria da Habitação).

Para qualquer fabricante de cal hidratada receber a qualificação de conformidade, ele precisa aderir ao programa e passar a submeter seu produto à verificação periódica de uma auditoria independente, que é realizada pela Tesis – Tecnologia de Sistemas em Engenharia Ltda., uma entidade privada especializada em programas desse tipo.

O laboratório responsável para a realização das análises é o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), que constata a adequação ou não do produto com as normas brasileiras exigidas pela ABNT.

Os auditores coletam no mercado brasileiro não apenas amostras das marcas comercializadas pelas empresas que aderiram ao programa, como também de outras 50 marcas, a título de monitoramento. Atualmente, o Programa abrange 83% da produção nacional de cal hidratada, resultado da soma das empresas participantes mais as marcas verificadas compulsoriamente nas revendas. A produção brasileira de cal hidratada atingiu 1,8 milhão de toneladas em 2003.

Os resultados do programa são disponibilizados ao consumidor na internet, tanto na página do governo federal quanto da ABPC. Todos os produtores de cal associados à ABPC são obrigados a participar desse programa e a apresentar satisfatórios resultados de conformidade às normas nas auditorias. A entidade confere um selo de qualidade a seus associados, que permite ao consumidor identificar facilmente os produtos de qualidade nas revendas.

A utilização nas construções de cal hidratada de qualidade é importante sob diversos aspectos. Ela é, antes de tudo, um aglomerante, ou seja, um produto que atua no endurecimento da argamassa, em parceria com o cimento. Além disso, a cal confere plasticidade à argamassa, propriedade que a torna fácil de ser aplicada, fazendo com que o trabalho do pedreiro fique mais rápido, eficiente e econômico. Como tem extraordinário poder de retenção de água, liberada durante o endurecimento da argamassa, a cal evita a formação de trincas e fissuras; dá maior durabilidade à construção; e, devido a seu teor alcalino, evita a proliferação de fungos e manchas nas paredes, extremamente danosos à saúde dos usuários da construção.

Como o cimento foi inventado há apenas 180 anos, a cal é, na verdade, o aglomerante mais antigo empregado nas construções pelo homem, presente até nas juntas de blocos das mais antigas pirâmides do Egito, construídas há 4.600 anos.

Download do relatório completo sobre cal hidratada: rch.doc

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