Este artigo é especialmente dedicado
para aqueles que atuam na função de síndico.
Trata-se de um trabalho que tem como finalidade, esclarecer
algumas dúvidas que surgem em tarefas relacionadas com a
manutenção predial.
Sei que a função do síndico não
é uma tarefa fácil, já que nem sempre se
pode contar com a colaboração de todos os
condôminos em assuntos, que na verdade, deveriam ser de
interesse de todos. A maioria dos síndicos não se
dedicam de forma integral no gerenciamento do prédio, pois
possuem outras atividades para desempenharem no dia-a-dia, sendo
então a tarefa de administrar o prédio, uma
atividade voltada mais para feriados e fins de semana, quando
possível, é claro.
Mesmo quando a dedicação ocorre em
período quase que integral, é muito raro encontrar
um síndico que seja Arquiteto ou Engenheiro
Civil e que tenha bons conhecimentos técnicos sobre
materiais de construção e execução de
obras.
Tanto o síndico quanto os condôminos devem ter em
mente que a manutenção predial,
quando feita de forma regular, evita o encarecimento dos
trabalhos de recuperação, e isto é um
fato mais que consumado.
Por exemplo:
Se uma repintura é feita sobre uma pintura antiga, mas
em bom estado, o trabalho de preparar a superfície
será até simples. No entanto, quando esta repintura
é feita sobre uma superfície em péssimo
estado, os trabalhos de recuperação são bem
mais lentos e onerosos, tendo como conseqüência, o
encarecimento final dos serviços.
Na maioria das vezes a edificação passa
vários anos sem que seja feito um trabalho de
manutenção e quando se resolve fazer algo, o
síndico não sabe nem por onde começar,
diante da variedade de trabalhos que se tem por fazer.
Bem, se este é o seu caso, que tal conferir uma lista
de perguntas com as respectivas respostas que geralmente surgem
na fase inicial de definição dos trabalhos. Espero
que sejam úteis para você e que possam aumentar a
sua produtividade na qualidade de síndico.
1. Com tanta coisa para fazer, o que deve ser
sanado de imediato?
Bem, neste caso a melhor atitude que você deve tomar
é a contratação de um Engenheiro
Civil ou de um Arquiteto para a
elaboração de um laudo técnico.
2. Mas qual é a finalidade deste laudo
técnico?
A finalidade do laudo técnico é a de relatar em
um caderno, todas as patologias detectadas durante o
período de vistoria e mais aquelas informadas pelo
síndico, assim como indicar as terapias que devem
ser adotadas com o intuito de se atenuar ou eliminar as fontes
causadoras dos diversos problemas que afetam a
edificação.
Neste documento, o profissional contratado indicará as
prioridades que devem ser sanadas de imediato. No entanto, a
definição de execução destas
prioridades ficará a critério dos
condôminos.
O laudo técnico é também um meio de se
aumentar a produtividade dos síndicos, visto que
estes não terão que ficar repetindo os
serviços que devem ser feitos quando as empresas
interessadas na execução das obras se apresentarem,
sendo suficiente que as mesmas leiam o laudo técnico para
se interarem sobre os serviços que devem ser feitos.
3. Cite outra vantagem do laudo
técnico
Na hipótese de
substituição do síndico, o novo gestor
não ficará perdido, pois terá em mãos
um documento onde estão relacionados todos os
serviços que ainda estão por fazer.
4. Com o laudo técnico em mãos, o
que eu devo fazer?
Após a leitura do laudo técnico você
terá plena noção dos trabalhos de
recuperação a que deve ser submetido o
prédio. Deve então se reunir com os
condôminos para definição dos serviços
que devem ser feitos de imediato.
Definida esta etapa, você deve entrar em contato com
empresas ou profissionais liberais, para que apresentem proposta
orçamentária para execução dos
serviços necessários.
5. O que deve conter a proposta
orçamentária?
A proposta orçamentária deve conter além
do valor para a execução dos serviços, no
mínimo, os seguintes itens:
O responsável técnico pela
execução dos trabalhos, que deve estar devidamente
registrado no CREA (Conselho Regional de Arquitetura e
Engenharia);
Os materiais que serão utilizados na
execução dos serviços, por exemplo: tipo de
tinta e respectivo fabricante, etc;
O prazo para a execução dos serviços;
Prazo de validade do orçamento entregue;
Endereço e telefone do contratado para a
execução dos serviços;
Condições de pagamento.
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6. Devo sempre optar pelo preço mais baixo
na hora de contratar?
Isto depende muito, sendo que você deve efetuar uma
comparação entre os orçamentos entregues e
avaliar o que cada um se propõe a fazer, analisando os
serviços relacionados, os materiais que serão
utilizados e como estes materiais serão aplicados.
Voltando ao exemplo da tinta: Um orçamento
"atrativo" pode estar especificando uma tinta inadequada e
com baixa durabilidade para o local onde será aplicada.
Então, o preço inicialmente "tentador" se
traduzirá em uma manutenção de repintura
precoce, devido a baixa durabilidade do material aplicado em
relação ao ambiente de utilização.
Resultado: Você vai gastar muito mais.
7. E se ainda persistirem dúvidas com
relação aos orçamentos entregues?
Neste caso, você deve agendar uma
reunião com o profissional técnico que assinou a
proposta para a execução dos serviços e
esclarecer todas as dúvidas.
Se necessário, peça por escrito e assinado, todas
aquelas dúvidas que foram esclarecidas durante a
reunião, para que não ocorram divergências
durante ou após a conclusão dos serviços
prestados.
Jorge Henrique Pezente
Engenheiro Civil
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